sábado, 21 de março de 2009

Lesbian Vampire Killers

20 de março. Cercada de grande expectativa, e de uma avalanche de publicidade midiática, aconteceu a estréia de Lesbian Vampire Killers em Londres.
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Tomei todas as providências para não perder o evento. Comprei meu ingresso antecipadamente, pela net, para a sessão das 21h30 no Odeon Marble Arch. A localização do cinema é fantástica. Fica na Edgware Road, uns duzentos metros da estação de Marble Arch, da linha vermelha.
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Depois de pegar o meu ticket e subir um andar de escada rolante, cheguei no grande saguão. Lá eram vendidos sorvetes, salgadinhos, chocolates, pipoca e tudo que se espera de um cinema. O que desabona o lugar é o fato de só vender Pepsi. Como não poderia deixar de ser, fiz minha visitinha básica ao banheiro que é limpo e grande. Mais um lance de escadas e cheguei na sala de projeção.
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Para meu espanto, o lugar estava vazio. Curioso para um lançamento tão festejado. Britânicamente às 21h30, as luzes se apagaram e fui obrigado a assistir a meia hora de propagandas. Só uma da rádio BBC One levou uns cinco intermináveis minutos.
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Começa o filme. Percebe-se que o diretor Phil Claydon nitidamente tenta dar um toque, se não pessoal, um tanto diferente às cenas. Utiliza, sem cerimônia, a aceleração dos movimentos para criar um clima de cartoon. Usa e abusa de "defeitos especiais" dos filmes B. Tudo funciona.
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Desde os primeiros minutos, é possível perceber que entre os protagonistas: o gordinho James Corden e o pseudo galã Mathew Horne, existe um abismo. Enquanto o primeiro é naturalmente hilário, o segundo parece estar com cólicas renais. Muita careta e pouco talento.
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Com as moças ocorre o mesmo. As coadjuvantes, Lucy Gaskell e a bela Vera Filatova, dão um show. Lucy é muito engraçada, e a atriz balcânica une beleza à uma atuação "lugosiana" de vampira.
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Já a “mocinha”, MyAnna Buring cumpre seu papel de forma, digamos, burocrática. Faz da personagem Lotte, uma clássica donzela. Se bem que o roteiro lhe reserva alguns bons momentos de Lara Croft.
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O secundário Paul McGann, The Vicar, é outro que se destaca. Engraçado, consegue elevar o personagem. As demais beldades fazem “pontas” no filme. Aparições relâmpago. Algumas divertidas. Aliás, essa é a intenção do roteiro, fixar as ações no trio principal. Deve ser para economizar em casting.





Após 88 minutos, fiquei com a sensação de ter feito um pedido no McDonald’s delivery. Sabe como é? Daqueles que a comida chega fria.
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Na verdade, escrevendo este comentário, horas depois de ter experimentado, acho que fui eu que criei uma expectativa elevada. O filme não se encaixa no padrão “Lolôístico” do Silicone Trash Horror. Inclusive, o que menos se vê na película são “boobs”. Normal, se tratando de um produto britânico, onde a sociedade é mais pudica.
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O roteiro é mass media despretenciosa. Cinemão, para grandes bilheterias, altas vendas on demand e de blue ray, ou seja, construído para o mainstream. Justificando o dinheiro gasto em uma massiva propaganda.
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Só que é aí que cai na vala. Ano após ano, são lançadas comédias de terror usando a fórmula: Mulherada + sustos + sexo + graça. Isso desde o cult A Dança dos Vampiros. Uma referência no gênero. Feito em 1967, dirigido por Polanski e estrelado pelo próprio, por Jack MacGowran e com uma deslumbrante Sharon Tate.





Até filme brasileiro foi feito no gênero: o new wave As Sete Vampiras, de 1986. A obra, que assisti na época, é engraçada também. Fora isso, pelo fato de trazer no elenco figuras como Neuzinha Brizola e Léo Jaime, cantautor da musica tema, é impagável. Chanchada Carioca. Das boas.





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