segunda-feira, 5 de julho de 2010

Como a Blogosfera Detonou a SporTV no Paraguai

Por Luiz Carlos Azenha (com dicas do Stanley Burburinho e Conceição Oliveira), via Vi o Mundo
Em comum, todos tem um sorriso permanente estampado no rosto. Sorriso plastificado. Nem disfarçam mais, fazendo “cara de conteúdo”. Difícil discernir entre os locutores que fazem televendas, os humoristas do CQC e os telejornalistas encarregados das coberturas esportivas. Eles estão permanentemente de bom humor e tratam o telespectador como um imbecilóide, como a criança que recém migrou do show da Xuxa para a adolescência das coberturas esportivas e que, se tudo der certo, em breve se tornará bovinamente “consumidor de notícias” do Jornal Nacional.
O mais curioso é que os mentores dessa imbecilização generalizada se alimentam de preconceitos antigos para suas “sacadas” modernosas. Nascem daí momentos imperdíveis de nosso telejornalismo, como o que o SporTV produziu sobre o Paraguai, a título de fazer uma graça. Houve, sim, um tímido pedido de desculpas (mas eles continuam pensando a mesma coisa sobre o Paraguai, só lamentam não poder dizer isso em voz alta). É produto genuinamente brasileiro, como a jabuticaba: um tele-entretenimento jornalístico que ganha dinheiro reproduzindo a própria ignorância.
PS: Um leitor do Viomundo me enviou um e-mail dizendo que havia denunciado a SporTV ao jornal paraguaio La Nación, inclusive postando no You Tube o vídeo imbecilizante da emissora. Infelizmente, não consigo localizar a mensagem para dar crédito ao internauta.




PS 2: Com a ajuda da Conceição Oliveira, reconstituí o “ciclo”  da denúncia contra a SporTV. Foi o Vinicius Duarte que divulgou primeiro no twitter (ele tem o blog Com Fel e Limão*); a partir disso, o blog do Esquerdopata (do Valdir Fiorini) encaminhou a denúncia ao jornal paraguaio ABC Color (uma vez que a Globo bloqueia o conteúdo fora do Brasil, o blog cuidou de subir o vídeo no You Tube). Só depois disso outro jornal paraguaio, o La Nación, publicou.

Para ir ao Esquerdopata, aqui

Para ir ao Com Fel e Limão*, aqui



Nota: * Member of NCDJ BN

Tattoo(adas) de Segunda



Senta Que Lá Vem A História, Via Cruz de Savóia


N.CS: Agradecendo a dica do amigo Eduardo, publicamos aqui o trabalho de Júlio Bernardes, em 2006, acerca da pesquisa realizada pelo historiadorAlfredo Oscar Salun. Os grifos são meus.

E NÃO SE ESQUEÇAM… O III Jogo das Barricas vem aí, e é por essas e outras:

Clubes de futebol foram alvo da vigilância da polícia política durante a Segunda Guerra Mundial

Medidas influenciadas pela política nacionalista do Estado Novo obrigaram clubes a expulsar associados de origem estrangeira. Reuniões de diretoria só podiam ser realizadas com autorização da DEOPS

Pesquisa do historiador Alfredo Oscar Salun aponta que na época da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942, Corinthians e Palmeiras foram forçados a expulsar cerca de 150 sócios de origem estrangeira, inclusive alguns de seus dirigentes. Os dois clubes estavam entre as entidades atingidas pela legislação repressora do Estado Novo, especialmente de 1941 até 1945, quando aumentou o rigor na vigilância da polícia política aos grupos estrangeiros e seus descendentes.

Equipes mais populares da época, Palestra Itália (antigo nome do Palmeiras) e Corinthians atraíam grande número de torcedores de origem imigrante, muitos dos quais operários, caracterizando-os como times populares. “Quando o Brasil declarou guerra à Itália, Alemanha e Japão, a vigilância aos estrangeiros pela Delegacia de Ordem Política e Social (DEOPS) aumentou, devido a suspeitas de espionagem”, conta Salun.

“No Palestra Itália, predominavam os italianos, e no Corinthians havia também italianos, além de espanhóis, alemães e até árabes”, explica o historiador, que pesquisou os efeitos das medidas de nacionalização para sua tese de doutorado no Núcleo de Estudos de História Oral (NEHO) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

 “Os clubes de futebol foram atingidos, tendo que expulsar dirigentes e associados estrangeiros, principalmente os ligados aos países do Eixo, rotulados como ‘Súditos do Eixo’.”

Após a entrada do Brasil na guerra, o Conselho Nacional de Desportos (CND) baixou uma série de regulamentações para o esporte, em acordo com o projeto nacionalista do regime do Estado Novo (1937-1945). “Os clubes de futebol foram atingidos, tendo que expulsar dirigentes e associados estrangeiros, principalmente os ligados aos países do Eixo, rotulados como ‘Súditos do Eixo’.”
Vigilância

A desobediência às normas de nacionalização poderia levar ao fechamento dos clubes. “No caso do Palestra Itália, isso gerou rumores não confirmados de que dirigentes do São Paulo manobravam nos bastidores para tomar seu patrimônio“, relata Alfredo Salun. “Os boatos e a mudança de nome para Palmeiras, em 1942, tornaram o episódio marcante na história do clube e dos seus torcedores, ao contrário dos fatos ocorridos no Corinthians.”

A aplicação das leis levou a destituição do presidente do Corinthians Manuel Correncher, espanhol de nascimento. “O clube conquistou vários títulos na gestão de Correncher, considerado uma figura folclórica, comparada a de Vicente Matheus”, conta Salun. “A presidência foi assumida por Mario de Almeida, interventor indicado pelo CND, que ocupou o cargo por alguns meses, até o clube escolher um novo presidente.”

“Em um clube é uma história conhecida e celebrada e no outro, silenciada e apagada”, destaca o historiador. Nesse aspecto, o pesquisador desenvolve um trabalho em História Oral, com torcedores, jogadores e dirigentes. “Esses clubes não foram os únicos na capital paulista que foram alvos da repressão, mas tinham maior torcida e prestígio.”

Reuniões de diretoria dos dois clubes só eram feitas com autorização da DEOPS e a presença de um agente do órgão. “Os clubes também precisavam de permissão oficial para jogos fora de São Paulo, especialmente no litoral, devido a importância estratégica das regiões costeiras na Segunda Guerra Mundial.”

Após as expulsões, Corinthians e Palmeiras realizaram uma “campanha de nacionalização” para atrair novos sócios, nascidos no Brasil. “A imprensa da época viu essa iniciativa como uma prova de patriotismo”, diz Salun. “Os estrangeiros expulsos começaram a retornar aos clubes após 1945, como reflexo do final da Guerra, de medidas liberalizantes adotadas pelo governo de Getúlio Vargas e o fim da perseguição à ‘quinta-coluna’, espiões e os ‘Súditos do Eixo’.”

Os gols do Palmeiras em Piracicaba

Para quem não viu, via Verdazzo:


Ah! A Impren$inha ...

Nem bem terminaram de tripudiar sob o cadáver do ex-técnico e o lobby começou. Os responsáveis por disseminar informação passaram a se ocupar única e exclusivamente de colocar Luiz Felipe Scolari na seleção brasileira.

Na própria sexta-feira, alguns dos confiáveis profissionais começaram a lançar factóides, via Twitter,  afirmando que Felipão já tinha aceitado o cargo. Mesmo com o desmentido do técnico, a coisa ainda não parou. A intenção é clara, colocar Scolari em situação delicada e contra a parede, tendo que assumir a seleção como obrigação patriótica. Ah, eles esqueceram de como as coisas funcionam com o gaúcho ...

O mais engraçado é que, os brilhantes jornalistas usam, cada vez mais, "fontes confiáveis" para subsidiar seus textos. Na própria sexta, irritado com a fofocaiada, resolvi "plantar" algumas notícias no Twitter. Com a ajuda de alguns amigos, dos quais não citarei o nome para não criar constragimentos, escrevi que em um  programa da  ITV, davam como certa a contratação do purpurinado Ricardo Gomes, genro de Ricardo Teixeira.


No sábado, "noticiei" que um diretor do Sportv que estava sendo entrevistado na BBC1 garantia que o cargo seria ocupado por Leonardo, ex Milan. O funcionário dos Marinho realmente foi entrevistado, mas confesso que não ouvi uma só palavra do que ele dizia!


Pode parecer pretencioso de minha parte, mas ...


Coincidências acontecem. E via o Twitter!

Como eu fiz destaques no print da matéria, para não deixar dúvidas quanto ao conteúdo, aqui está o link: http://globoesporte.globo.com/futebol/selecao-brasileira/noticia/2010/07/lista-para-substituir-dunga-na-selecao-brasileira-tem-cinco-nomes.html

Fiz questão de colocar o link inteiro para mostrar que, quando foi publicada, a matéria trazia o nome de um quinto técnico. Era Muricy Ramalho só que não fica bem para a empresa prejudicar o trabalho do treineiro de um time carioca, não é? Por conta disso, criaram um desarranjo entre o título e o link. Coisas da Corte do Cosme Velho ...

Seleção Brasileira

Não pretendia escrever nada sobre o tema, mas vamos lá.  Os dias vão passando e ainda leio a reação de pessoas indignadas e culpando o técnico Dunga e o pobre Felipe Melo pela eliminação. Aí fica difícil calar.

Comecemos por Dunga; O que fez o treineiro de tão desastroso? Não levou os melhores jogadores? Quem são os talentos inquestionáveis que ficaram de fora? Ronaldinho Gaúcho, um jogador em decadência? Neymar? Que até outro dia treinava nos juniores do Santos?  O problemático Adriano? Ou seria Ganso, que tem no currículum um título paulista?

Não existem unanimidades que tenham sido injustiçadas, apenas diferentes opiniões. 

A seleção, diferente de 2006, não parecia um "catado" em campo, cada jogador sabia o que deveria fazer. Se as coisas não funcionaram bem, não foi por problemas táticos. Isso deu-se por questões técnicas dos boleiros. Kaká, Robinho e Luiz Fabiano, por exemplo, jogaram abaixo de suas possibilidades e isso fez muita diferença. Há que se considerar ainda, que Elano, um dos principais jogadores nos dois primeiros jogos da Copa, saiu por contusão e Dani Alves não conseguiu suprir essa ausência. Culpa do Técnico?

O grande erro de Dunga foi tentar proteger o elenco do assédio desnecessário, arcando com todos os ônus. Por ter confrontado a Globo e por conta do que meu amigo Maurco Mello chama de "espírito de corpo" da impren$inha, passou de anão à madrasta, a Geni da vez.

Sobre Felipe Melo, acredito que o rapaz fez uma boa Copa do Mundo. É um marcador implacável e tem um sentido de cobertura impressionanate.

Gary Lineker, que hoje é apresentador e comentarista da BBC, fez uma matéria de 15 minutos, no final da fase de grupos, mostrando a atuação de Melo no meio campo brasileiro. Ele cobria com perfeição a lateral esquerda, socorria Gilberto no meio e auxiliava Juan e Lúcio fechando a zaga. Portanto, o elogiado sistema defensivo brasileiro funcionou bem devido, também, a participação do volante.

Não creio que Felipe tenha batido muito mais da conta. Exagerou contra Portugal, quando revidou a pancada de Pepe, mas ali ele estava machucado e tinha pedido substituição. Foi pura reação à violência do adversário.

No último jogo, Melo perdeu a cabeça quando deu um pisão em Robben que deitava e rolava pela esquerda. Esse talvez tenha sido o grande erro do camisa 5 em toda a competição.

Ainda no jogo contra a Holanda, pagou pelo erro de Julio Cesar. O goleiro errou a bola que foi para na sua cabeça. Acidente. Depois disso, todo o time acusou o golpe, talvez pelo fato do arqueiro quase infalível ter entregado o ouro. O segundo gol dos laranjas enterrou de vez as pretensões brasileiras e o time me pareceu completamente sem forças para reagir. 

Culpar Felipe pelo fato do time não ter empatado é um tanto simplista, O Brasil não tomou outros gols depois de sua saída e o cara é um volante, dificilmente ajudaria muito no ataque.

Resumindo, muito diferente de 2006, onde tínhamos muito talento e pouco comprometimento, a turma de 2010 foi valente. Ninguém encostou o corpo. A seleção lutou, teve alguns momentos de bom futebol e, só não foi mais longe, por conta de fracas atuações de quem deveria criar e definir, já que a defesa era boa e segura. Uma situação que qualquer time pode viver. Lamento pela recepção que a equipe teve no Brasil.



É, a influência midiática ainda é muito forte e os culpados já tinham sido escolhidos muito antes da desclassificação.

All African Hearts Africa Are Proud

Em frente à minha casa existe um centro comunitário, onde são comuns festas da comunidade africana de Willesden. Sexta-feira havia mais uma delas programada. A seleção de Gana lutava pela inédita classificação de uma nação africana para as semi-finais de uma Copa do Mundo. Os ganenses penduraram uma imensa bandeira de seu país e senegaleses, angolanos, sulafricanos, jamaicanos, brasileiros e até portugueses, vieram com suas bandeiras para torcer juntos.

O final da história todos conhecem. Pude assistir, pela janela, a tristeza daquela gente no final da partida. Vendo a saída dos derrotados, escrevi no Twitter e no Facebbok que "All african hearts are broken".

Mas o povo africano é extremamente positivo e, muito rápido, passaram da depressão para a euforia. O que foi motivo de decepção na sexta, virou motivo de orgulho no domingo. 

Ontem à tarde, o time ganense foi recebido em Soweto como heróis. Não são apenas os imigrados que se juntam para compartilhar, Os africanos em geral possuem muita identificação. Alguém já viu uma pessoa vestindo uma blusa estampada com as palavras Europa, América do Sul ou Ásia? E África?

Aqui, no centro comunitário, o bandeirão de Gana estava pendurado outra vez e a comunidade se reuniu para comemorar a heróica performance das "Estelas Negras da África". O que foi, até pelas circunstâncias, motivo de dor virou orgulho. E eles festejaram, como só os africanos sabem fazer, até a madrugada.

Fiquei pensando que religião e guerra podem unir várias nações sob a mesma bandeira, mas o futebol extrapola tudo isso. Uma Copa do Mundo é capaz de transformar derrotados em vitoriosos.

              
                                                       

domingo, 4 de julho de 2010

sexta-feira, 2 de julho de 2010