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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Os Skulls e o Futebol

Continuando o faz-de-conta ...



Esporte nunca foi uma das prioridades da sociedade secreta. Intervinham vez ou outra no futebol, para dar um título ou arrumar patrimônio para alguns clubes "filiados". A intenção era criar visibilidade para membros, dentro do projeto político, nada mais. Se a fraternidade como instituição não se envolvia, alguns iniciados, por sua vez, fizeram carreira em clubes. Não como jogadores, claro. Como dirigentes.

Nos tempos de chumbo do regime militar, um dos meios de propaganda da ditadura era o futebol. Em uma província, conhecida como a "locomotiva da nação", o governo local não media esforços para tornar o "clube símbolo" uma potência.

Campeonatos foram ganhos e um estádio foi construído por decreto. Tudo para criar uma imagem de supremacia que, dentro do projeto político Skull, é muito importante. Afinal, eram essas demonstrações de força e poder que inibiam os opositores e convenciam o eleitorado.

Clube capitalizado, garantia de benesses vindas de todos os lados e todas as formas, os vinte anos seguintes foram férteis.

Mas um forte concorrente, considerado abatido, criou uma maneira de reverter a situação; Associou-se a uma grande empresa internacional e juntos criaram times muito fortes e começaram a ter sucesso. A parceria dava resultados dentro e fora dos campos, já que a tal empresa com a imagem atrelada a um tradicional time de futebol e aos êxitos esportivos cresceu de maneira vertiginosa no mercado.

Isso era demais para os Crânios. A força esportiva e o sucesso comercial da empreitada adversária incomodavam e atrapalhavam seus projetos econômicos. Muitas empresas familiares de membros da irmandade foram compradas pelos estrangeiros. O orgulho dos Skull estava ferido. Para piorar a situação, outro time tradicional e popular seguia na mesma linha.

A reação veio. Com a força dos meios de comunicação e o poder político do país, criaram a necessidade de reformas na estrutura do esporte. Para isso, utilizaram a imagem de célebres ex jogadores. Inocentes úteis, acredito. Veio a nova ordem no esporte, aproveitando o modelo europeu.

Os atletas deixaram de ser "propriedade" dos clubes e passaram a ter as carreiras administradas por agentes. O interesse de empresas nos lucros do futebol acabou. O resultado foi uma terra devastada.

Os tais agentes se tornaram os grandes protagonistas. Para a sociedade secreta isso foi muito bom, negociar com gente sem escrúpulos e sem vínculos emocionais com o esporte era muito mais fácil. Vários desses "empresários" foram cooptados para trabalhar como testas-de-ferro dos Skulls.

Em pouco tempo, o clube símbolo estava devidamente aparelhado e a idéia da supremacia voltou com força. Contudo, a mesma soberba que atrapalhou os planos políticos dos Crânios, se fez presente no futebol. A imprensa já não tinha tanto poder de influência e os métodos tradicionais de obter sucesso, foram ficando óbvios demais e começaram a levantar suspeitas.

Começou a ventar em Sambadrome. O vento foi aumentando, aumentando ... e o castelo de areia dos Skulls cada vez mais vai sofrendo ...




A Sociedade do Crânio



Vou pegar o gancho do meu amigo Marco Mello e me permitir escrever ficção. A minha estória usará um filme, daqueles meia-boca, para ilustrar o tema. Trata-se de Sociedade Secreta (The Skulls/2000). O roteiro é, como o título em português diz, sobre uma confraria de poderosos.

Um poder paralelo capaz de influenciar governos e corporações com a finalidade de benefícios próprios. Em suma, Assegurar que nada mudará para pior, só para melhor: "Para o alto e avante" - Como diria o Super Homem.

Narrarei as peripércias de um grupo semelhante. Ao invés de viver e tentar governar a America, eles atuavam mais para baixo da linha do Equador, em uma terra que já foi cantada como "Sambadrome Nation".


Sambadrome era uma das muitas repúblicas governadas por generais. Porém, as mesmas mãos que eram de ferro e intolerantes para com o povo, acariciavam suavemente os "Crânios". A sociedade, em contrapartida, como tinha o domínio sobre a informação e o poder político nas cidades e províncias, cuidava de manter o povo dócil.

Os Skulls fizeram fortunas inimagináveis. Toda a sorte de negociatas eram feitas sob as asas do poder militar. Cada vez mais e melhor. Da noite para o dia, alguns viraram banqueiros, pequenas indústrias se transformaram em corporações e jornais viraram redes de comunicação. Poucos eram os políticos eleitos que não faziam parte da irmandade, tanto do lado da situação, quanto da oposição.

Contudo, o mundo começou a mudar. Pressões externas e falta de lideranças militares colocaram o projeto em risco. Resolveram então liberar os militares e passaram a administrar a nação. Alguns ex-inimigos com potencial foram recrutados. Era preciso passar a impressão de que Sambadrome havia se tornado uma democracia.

O canto da sereia levou muita gente tida como diferente para o lado negro. Outros, foram inocentes úteis, joguetes de momento, sempre que necessários. Uma oposição verdadeira e popular até foi aceita, para passar uma boa imagem para o mundo. Tudo caminhava para a manutenção do poder Skull por séculos e séculos.

Mas a empáfia cobrou seu preço. Em certo tempo, houve uma eleição onde o movimento popular colocou seu líder em condições de igualdade contra o candidato da sociedade secreta e eles foram obrigados a agir. Calúnias e desinformação pulularam na imprensa. Tiveram êxito, naquele instante.

Mas, o estrago estava feito. Muita gente, até então, influenciada pelo poder dos formadores de opinião ficou com a pulga atrás da orelha. A liderança popular era um fato e não poderia ser eliminada à moda dos anos de chumbo, sob pena de levante. A troca de poder era questão de tempo.

Como a ganância não tem fim. Resolveram então sacrificar seu presidente eleito que, representava um projeto pequeno e pessoal. Uma estratégia para quinze anos foi criada por antigos e Neo-Skulls. A estrutura estatal foi desmontada e privatizada para permitir que, parte do dinheiro sujo acumulado por décadas e décadas pudesse vir à tona. A imprensa cuidava de vender a nova ordem como modernidade. Os "Crânios" tentaram se preparar para a iminente perda do poder político.

E chegou o dia de deixarem o trono em Sambadrome. O "Escolhido" foi eleito. A sociedade secreta teve que engolir o sapo. A tática agora era fazer esse período fora do poder, o mais curto possível.

Para isso, informantes foram enviados para partidos políticos alinhados com o governo. Agentes duplos com a missão de criar instabilidade. A opinião pública seria bombardeada com toda a sorte de escândalos. Uns verdadeiros e outros falsos. Contudo, o projeto econômico/social do governo popular sobrepujou todo o esquema e o Escolhido teve índices de aceitação nunca vistos antes.

Aconteceu uma não programada reeleição. Pior, seu poder de influência política era tão grande que, a possibilidade de retorno dos Skulls ao poder foi ficando remota.

Pior para eles. De tanto usar os meios de comunicação para desestabilizar o governo adversário, perderam a credibilidade. Várias tentativas torpes de criar novos escândalos foram por terra. A sociedade secreta estava completamente atolada no lamaçal que havia criado e sem muita perspectiva de sair dali.

Mas esta parte da estória ainda está sendo escrita ...

Mais tarde, amanhã ou depois, contarei a fábulas dos Skulls no futebol de Sambadrome.